Muito além do torneio: o lado social do Rio Open

09.Fev.2015

A presença de Rafael Nadal, David Ferrer e Thomaz Bellucci serviram de inspiração para crianças e jovens de três projetos sociais que ganharam convites da organização para ver de perto o maior evento de tênis da América do Sul em terras cariocas. Como ferramenta de inclusão social, uma vida saudável e quem sabe a descoberta de um grande talento do tênis, os projetos "Tênis na Lagoa", "Tênis Solidário" e "Tênis para todos" utilizam o esporte para ajudar centenas de jovens em comunidades do Rio de Janeiro. A IMX, empresa organizadora do Rio Open, deu 250 convites para a criançada que participa destes projetos poder assistir alguns jogos do Rio Open na abertura do torneio, nesta segunda.
Comandado pelo professor Alexandre Borges, o projeto "Tênis na Lagoa" atua desde 2003 junto a crianças de comunidades carentes promovendo desenvolvimento humano e inclusão social para meninos e meninas de seis a 18 anos. O ex-tenista, Thomaz Koch é o padrinho do projeto que baseia sua atuação nas quadras da Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio, em frente ao clube Monte Líbano. E basicamente recebe crianças de comunidades próximas como Lagoa, Cruzada, São Sebastião, Cantagalo e Vidigal. No Rio Open, alguns participantes do "Tênis na Lagoa" serão pegadores de bola.
"Para esses jovens, essa é uma oportunidade única. Conhecer seu ídolo, ver o tênis profissional de perto, e o quanto um jogador de alto rendimento se esforça pra chegar nesse nível. Eles vêm o quanto precisam treinar física e mentalmente para quem sabe chegar lá", afirma Alexandre Borges, que comanda o projeto que conta atualmente com mais de 200 crianças e jovens.
Saindo da Zona Sul, indo até Pilares, Zona Norte do Rio de Janeiro, pode-se conhecer o projeto "Tênis Solidário", que atende mais de 30 crianças, oferecendo diversos serviços para os jovens. A quadra - adaptada do futsal para o tênis - fica embaixo do viaduto de Pilares. Além de aprender fundamentos do esporte, a criançada recebe noções básicas de etiqueta, inglês e português. Os jovens atletas recebem também uniformes, material esportivo e lanches de forma gratuita. Artur Ricardo, professor de educação física e responsável pelo projeto, explica como o "Tênis Solidário" contribui no dia a dia desses jovens de Pilares.
"Sou morador de Pilares e percebi que o bairro carece de esportes além do futebol. Então pensei: ‘por que não o tênis?’ Vi na quadra de futsal uma possibilidade para adaptar para o tênis e três meses depois implementamos o projeto. E há quatro anos centenas de alunos já passaram por aqui. Mudou muito a rotina deles. Por conta das aulas de etiqueta e também da disciplina que cobramos aqui, a mudança é visível. Não xingam, chegam no horário, não faltam. E o mais importante, cobramos desempenho escolar deles e temos reuniões com os pais. O mais legal é que já tem aluno querendo se formar em educação física pra dar aula de tênis", comemora, Artur, que aos poucos vai mudando a rotina destes jovens.
Outro projeto social que realiza um trabalho envolvendo o tênis com crianças de comunidades carentes no Rio de Janeiro é o "Tênis para Todos". Sob o comando de Marcus Fonseca, o projeto já atendeu mais de 300 crianças de diversas comunidades. Os alunos recebem aulas de tênis das 10h às 16h, diariamente. E além do contato com o esporte, o projeto oferece aulas de inglês às quartas e sábados, café da manhã, almoço e jantar, uniformes e material esportivo sem nenhum custo para os jovens.
Luiz Carvalho, diretor do torneio, comemora iniciativas como estas e também a presença deles no torneio.
"A criançada pode ver de pertinho alguns de seus ídolos, vivenciaram a experiência de um torneio de grande porte e se inspiraram com a genialidade dos melhores tenistas do mundo. Mas independente disso, o mais importante é que o trabalho feito nesses e em outros diversos projetos espalhados pelo país ajudam na formação de indivíduos e possíveis atletas profissionais, como é o caso do Fabiano de Paula", afirma Luiz.

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